Um levantamento recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou que Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, ocupa a quarta posição entre as cidades mais violentas do Brasil em 2025. A cidade registrou uma preocupante taxa de 74,6 mortes violentas por 100 mil habitantes, ficando atrás apenas de Maranguape (CE), Jequié (BA) e Juazeiro (BA).
O estudo, intitulado “Segurança em Números”, teve como base os dados oficiais das secretarias estaduais de segurança pública, além das polícias Civil, Militar e Federal. Os números mostram que a violência letal continua fortemente concentrada nas regiões Norte e Nordeste do país, onde os índices de homicídios superam, com folga, a média nacional de 20,8 mortes por 100 mil habitantes.
A Bahia, por sua vez, chama atenção ao dominar o ranking: sete das dez cidades mais violentas do Brasil estão no estado, evidenciando a crise da segurança pública e a atuação desenfreada de facções criminosas. Esses grupos disputam intensamente o domínio do tráfico de drogas, o que acirra ainda mais o clima de medo nas comunidades.
Apesar de uma leve queda no total de mortes violentas no país — 44.127 casos em 2024, uma redução de 5,4% em relação a 2023 —, o cenário continua alarmante. O número de desaparecimentos aumentou 4,9%, chegando a 81.873 registros, e a violência contra crianças e adolescentes também cresceu 3,7%, com vítimas entre 0 e 17 anos.
Outro ponto preocupante apontado pelo relatório é a alta participação de policiais nas mortes violentas: 14% das vítimas foram mortas por agentes de segurança pública. Em municípios como Itabaiana (SE), Santos (SP) e São Vicente (SP), mais da metade dessas ocorrências têm participação direta de policiais, o que reacende o debate sobre o uso da força e o preparo das corporações.
Especialistas afirmam que o enfrentamento à violência urbana exige políticas públicas mais eficazes, investimentos em educação, assistência social, inteligência policial e prevenção ao crime. Enquanto isso não acontece, a realidade de cidades como Camaçari segue marcada pela insegurança, dor e perdas irreparáveis.
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