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PF rastreia dinheiro do Master que passou por empresa ligada à petista baiano

As investigações sobre o Banco Master avançam na apuração das conexões do empresário Augusto Lima, ex-CEO da instituição, com políticos. Um dos pontos que mais chama atenção dos investigadores envolve o possível destino de recursos movimentados no esquema.

Informações divulgadas pela coluna Andreza Matais com Andre Shalders, do Metrópoles, revelam que a Polícia Federal já identificou que um dos caminhos do dinheiro passa por uma empresa atualmente registrada em nome da mulher de um secretário de Estado. Ainda segundo a apuração, o detalhe que elevou o nível de atenção dos investigadores é que o secretário possui fortes ligações com um conhecido cacique do PT. O Informe Baiano descobriu que esse secretário de Estado é do Governo Jerônimo Rodrigues.

A suspeita é de que recursos provenientes de operações do Banco Master tenham sido direcionados a empresas que, formalmente, aparecem em nome de terceiros, mas que teriam políticos como beneficiários indiretos.

Relatos reunidos durante a investigação apontam que Augusto Lima operava um esquema de pagamento de propina, que envolveria diferentes métodos de distribuição de recursos.

Entre as práticas relatadas estão malas de dinheiro entregues na sede do Banco Master, em São Paulo, além de pagamentos realizados por meio de empresas usadas como intermediárias nas transações.

Baiano, Lima construiu sua trajetória empresarial a partir de conexões políticas na Bahia, o que teria facilitado sua aproximação com diferentes grupos de poder.

Dados obtidos a partir da quebra de sigilo bancário de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, ajudam a dimensionar os valores envolvidos na operação ligada à Bahia.

Em 19 de junho de 2023, Vorcaro recebeu cerca de R$ 3 milhões do empresário baiano Miguel Luiz Rosário Lorenzo. Pouco tempo depois, em 14 de julho do mesmo ano, uma empresa de Lorenzo — MCR Patrimonial Ltda. — transferiu outros R$ 30,6 milhões ao banqueiro.

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De acordo com informações obtidas pelos investigadores, Vorcaro atribuía essas operações a negócios conduzidos por Augusto Lima.

Relatórios do Coaf, órgão de inteligência financeira do governo federal, também apontaram movimentações envolvendo o banco.

Conhecido no meio empresarial como “Guga Lima”, Augusto Lima chegou a ser preso por 11 dias, entre 18 e 29 de novembro de 2025. Ele foi solto por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), mas permanece monitorado por tornozeleira eletrônica.

Além do Banco Master, Lima também é controlador do Banco Pleno, instituição que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em fevereiro.

MASTER E RUI

Foi durante o governo do então governador Rui Costa, atual ministro da Casa Civil, que Augusto Lima conquistou uma licitação para operar o CredCesta, um cartão de crédito voltado a servidores públicos com desconto em folha. Rui, através de um decreto, chegou a proibir que servidores públicos fizessem portabilidade do crédito.

O contrato impulsionou a atuação do Banco Master no estado e aproximou o empresário de setores do PT, segundo fontes da investigação.

Lima também atuava no segmento de empréstimos consignados, área que passou a ser investigada pela CPMI do INSS. Ele chegou a ser convocado para prestar depoimento, mas acabou desobrigado de comparecer após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

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