Cerca de 10 mil kits para montagem de veículos elétricos seguem retidos no porto de Salvador e podem atrasar a produção da BYD em Camaçari.
Peças importadas pela montadora chinesa BYD estão há mais de dez dias retidas no porto de Salvador, o que já começa a impactar o cronograma de produção da fábrica instalada em Camaçari. Segundo a empresa, cerca de 10 mil kits estão parados por questões burocráticas, o que pode atrasar a montagem dos veículos elétricos previstos para sair da unidade baiana.
Cada kit é essencial para a montagem de um carro, o que significa que a retenção pode afetar diretamente a fabricação de 10 mil veículos.
De acordo com o secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Augusto Vasconcelos, o problema está ligado à transferência do CNPJ da empresa de Campinas (SP) para Salvador (BA). Sem essa mudança formalizada, a companhia não consegue utilizar corretamente a cota de importação destinada à unidade baiana.
“Estamos confiantes em uma solução, já que a questão é administrativa. O governo do estado tem acompanhado de perto a situação, e o governador Jerônimo Rodrigues tem buscado articulação junto ao governo federal para agilizar o processo”, afirmou Vasconcelos.
A BYD confirmou a retenção das peças e informou que já busca junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a regularização necessária. A medida visa evitar que os kits sejam contabilizados na cota de importação vinculada ao CNPJ de Campinas, já que a operação agora deve ser registrada sob o endereço da fábrica baiana.
Em junho, a BYD havia solicitado isenção de impostos para importação de carros em kits SKD (semi-desmontados). Em agosto, o governo federal liberou cotas de importação no valor total de R$ 2,6 bilhões para 16 montadoras, incluindo a empresa chinesa.
Na última sexta-feira (22), o presidente da BYD, Tyler Li, se reuniu em Brasília com o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, além de executivos da montadora e representantes da pasta, em busca de uma solução definitiva para o impasse.
Enquanto a situação não é resolvida, cresce a preocupação de que o atraso afete os planos da empresa na Bahia, considerada estratégica para a expansão da produção de veículos elétricos no Brasil.
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