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PERIGO: Por que dormir mal aumenta ansiedade, depressão e o risco de infarto? Veja detalhes

Essencial para a regulação emocional e dos processos cognitivos, uma boa noite de sono tem se tornado cada vez mais rara. Dormir pouco ou mal pode agravar ou até desencadear transtornos mentais e, em muitos casos, tem levado ao uso de medicamentos controlados sem acompanhamento profissional.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde indicam que 8,5% dos brasileiros relataram ter utilizado medicamentos indutores do sono nas duas semanas anteriores ao levantamento. O número representa cerca de 17 milhões de adultos, com maior prevalência entre mulheres, idosos e pessoas com doenças crônicas.

Diante desse cenário, Salvador passa a contar com um trabalho considerado pioneiro no país ao integrar a medicina do sono ao tratamento de transtornos mentais. A proposta é identificar alterações no padrão do sono frequentemente associadas a condições como depressão, ansiedade, transtorno bipolar e esquizofrenia, utilizando exames específicos e acompanhamento especializado.

Segundo o psiquiatra Kayo Barboza, coordenador do serviço de medicina do sono da Clínica Holiste Psiquiatria, a normalização da arquitetura do sono contribui diretamente para a melhora do humor, redução de sintomas ansiosos e melhor resposta aos tratamentos medicamentosos. Ele explica que os distúrbios do sono têm múltiplas causas, que vão desde apneia obstrutiva, ansiedade e depressão até refluxo, dor crônica e hábitos inadequados, como uso excessivo de telas e consumo de cafeína.

A clínica aposta em um modelo de cuidado integrado, com equipe multidisciplinar formada por especialistas em saúde mental e sono. A proposta é oferecer diagnóstico e tratamento completos, algo ainda pouco comum no país dentro do contexto psiquiátrico.

Entre os fatores físicos que interferem no sono está o desvio de septo nasal, que pode causar obstrução crônica das vias aéreas, favorecendo ronco e apneia. Nesses casos, a cirurgia é indicada quando há impacto significativo na respiração, infecções frequentes ou associação com distúrbios do sono.

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Os prejuízos causados pela falta de sono vão além do cansaço. No curto prazo, incluem falhas de memória, dificuldade de concentração, irritabilidade e maior risco de acidentes. A longo prazo, podem agravar quadros de ansiedade e depressão e aumentar o risco de doenças como hipertensão, infarto, AVC, diabetes tipo 2 e obesidade.

Estudos apontam que mais de 70% dos brasileiros sofrem com algum distúrbio do sono, índice que cresceu após a pandemia. Estilo de vida acelerado, pressão constante e uso excessivo de telas mantêm o cérebro em estado permanente de alerta. O Brasil lidera os índices globais de ansiedade, o que reforça a relação direta entre saúde mental e qualidade do sono.

Embora a apneia do sono raramente cause morte direta, o problema aumenta significativamente o risco de eventos cardiovasculares. As pausas respiratórias reduzem a oxigenação do sangue, provocam inflamação, sobrecarga do coração e podem levar a arritmias, AVC e infarto. Por isso, diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais.

Especialistas destacam que a higiene do sono é uma das principais aliadas da qualidade do descanso. Manter horários regulares para dormir e acordar, evitar telas antes de deitar, criar rituais relaxantes, cuidar do ambiente do quarto e evitar cafeína, álcool e refeições pesadas à noite são medidas simples, mas eficazes.

A ideia de que todos precisam dormir exatamente oito horas por noite é considerada um mito. A recomendação científica aponta para sete horas ou mais, respeitando as necessidades individuais. O que é consenso é que dormir menos de quatro horas por noite de forma contínua traz prejuízos graves à saúde.

A medicina do sono é a especialidade médica responsável por diagnosticar e tratar distúrbios relacionados ao descanso, envolvendo áreas como neurologia, psiquiatria, pneumologia e otorrinolaringologia. A relação entre sono e saúde mental é direta e bidirecional: problemas de um afetam o outro.

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Um sono saudável é aquele que ocorre de forma regular, com qualidade suficiente para restaurar o corpo e a mente, permitindo disposição, equilíbrio emocional e bom desempenho ao longo do dia.

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